Turquia confirma oposição à adesão à OTAN para Suécia e Finlândia


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O presidente Recep Tayyip Erdogan disse que as delegações dos dois países que se candidatam à Otan ‘não devem se incomodar’ em vir a Ancara para discussões.

Turquia acusa Suécia e Finlândia de abrigar grupos ‘terroristas’, incluindo o PKK [File: Yves Herman/Pool/Reuters]

O presidente Recep Tayyip Erdogan confirmou a oposição da Turquia à adesão da Finlândia e da Suécia à OTAN, derrubando uma proposta dos países nórdicos de enviar delegações a Ancara para tratar do assunto.

“Nós não diremos ‘sim’ para aqueles [countries] que aplicam sanções à Turquia para se juntar à organização de segurança OTAN”, disse Erdogan em entrevista coletiva na segunda-feira, referindo-se à decisão da Suécia em 2019 de suspender a venda de armas à Turquia por causa de sua operação militar na vizinha Síria.

A Turquia também acusou os dois países candidatos de abrigar grupos “terroristas”, incluindo o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), na lista negra de Ancara, União Européia e Estados Unidos.

“Nenhum dos países tem uma posição clara contra organizações terroristas”, disse Erdogan. “Como podemos confiar neles?”

Fontes do Ministério da Justiça disseram à agência estatal de notícias Anadolu na segunda-feira que a Suécia e a Finlândia não responderam positivamente aos 33 pedidos de extradição da Turquia nos últimos cinco anos.

Ancara queria indivíduos acusados ​​de ter ligações com o PKK e grupos aliados ou de pertencer a um movimento culpado pela tentativa de derrubar Erdogan em 2016, informou a agência.

A Turquia repreendeu Estocolmo especialmente por mostrar o que descreve como clemência em relação ao PKK, que trava uma revolta armada contra o Estado turco desde 1984.

O Ministério das Relações Exteriores da Suécia disse na segunda-feira que altos representantes da Suécia e da Finlândia planejavam viajar para a Turquia para conversar sobre as objeções de Ancara.

Erdogan reagiu aos comentários dizendo: “Eles virão nos persuadir? Com licença, mas eles não deveriam se incomodar”. Ele acrescentou que a OTAN se tornaria “um lugar onde os representantes de organizações terroristas estão concentrados” se os dois países se unirem.

A aprovação de Ancara será necessária para que a Finlândia e a Suécia possam aderir à OTAN, já que as propostas de adesão devem ser aprovadas por unanimidade pelos 30 membros da aliança.

Stefanie Babst, ex-vice-secretária-geral adjunta da OTAN para diplomacia pública e analista da Rede de Liderança Europeia, disse à Al Jazeera que “a Turquia, no final, se alinhará com o consenso e dará as boas-vindas à Finlândia e à Suécia como novos membros”.

“Enquanto isso, eles tentarão barganhar nas negociações para obter alguns retornos”, disse ela.

A Turquia pode ter como objetivo obter equipamentos militares de Washington para atualizar sua frota de F-16 desatualizada e aumentar algum apoio ocidental para aliviar sua economia conturbada. Na frente interna, o analista disse que a menção ao PKK visava atrair o apoio dos eleitores nacionalistas de Erdogan.

A última repreensão de Ancara veio depois que o governo da Suécia decidiu formalmente solicitar a adesão à OTAN. A primeira-ministra Magdalena Andersson fez o anúncio na segunda-feira, um dia depois que o presidente finlandês Sauli Niinisto confirmou que a Finlândia também solicitará a adesão.

“Estamos deixando uma era para trás e entrando em uma nova”, disse Andersson em entrevista coletiva, acrescentando que o pedido pode ser entregue na segunda, terça ou quarta-feira e será sincronizado com a Finlândia.

A Turquia surpreendeu seus aliados da Otan na semana passada ao dizer que não veria seus pedidos de forma positiva.

À margem de uma reunião de ministros das Relações Exteriores da Otan em Berlim no domingo, Ancara adotou um tom mais conciliador e apresentou suas demandas, dizendo que queria que os dois países acabassem com o apoio a grupos como o PKK e suspendessem a proibição de venda de armas.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, afirmou no domingo que a Suécia e a Finlândia poderão se juntar à OTAN apesar das preocupações da Turquia. O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, também disse estar confiante “de que seremos capazes de abordar as preocupações expressas pela Turquia”.

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, deve se reunir com Blinken em Washington na quarta-feira, onde as objeções de Ancara devem figurar no topo da agenda.


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