Lula do Brasil compara a guerra de Israel em Gaza com o Holocausto


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O ministro das Relações Exteriores de Israel disse que convocará o embaixador do Brasil para uma reprimenda pelos comentários que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu descreveu como “vergonhosos”.

Edifícios de Gaza destruídos
Prédios estão em ruínas em meio à guerra de Israel em Gaza [UNRWA/Handout via Reuters]

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, acusou Israel de cometer “genocídio” contra os palestinos na Faixa de Gaza e comparou a guerra em Gaza com a campanha de Adolf Hitler para exterminar o povo judeu.

“O que está a acontecer na Faixa de Gaza não é uma guerra, é um genocídio”, disse Lula aos jornalistas em Adis Abeba, onde participava numa cimeira da União Africana no domingo.

“Não é uma guerra de soldados contra soldados. É uma guerra entre um exército altamente preparado e mulheres e crianças”, acrescentou o presidente brasileiro.

“O que está a acontecer na Faixa de Gaza com o povo palestiniano não aconteceu em nenhum outro momento da história. Na verdade, aconteceu: quando Hitler decidiu matar os judeus.”

Liderados por Hitler, os nazistas mataram sistematicamente seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

Esta foto divulgada pela Presidência brasileira mostra o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, falando durante uma coletiva de imprensa em Adis Abeba, em 18 de fevereiro de 2024. (Foto de Ricardo STUCKERT / Presidência Brasileira / AFP) / RESTRITO A USO EDITORIAL - CRÉDITO OBRIGATÓRIO "FOTO AFP / PRESIDÊNCIA BRASILEIRA / RICARDO STUCKERT" - SEM MARKETING - SEM CAMPANHAS PUBLICITÁRIAS - DISTRIBUÍDAS COMO SERVIÇO AOS CLIENTES - RESTRITO AO USO EDITORIAL - CRÉDITO OBRIGATÓRIO "FOTO AFP / PRESIDÊNCIA BRASILEIRA / RICARDO STUCKERT" - SEM MARKETING - SEM CAMPANHAS PUBLICITÁRIAS - DISTRIBUÍDAS COMO SERVIÇO AOS CLIENTES /
Lula disse que a guerra de Israel em Gaza foi um ‘genocídio’ [Ricardo Stuckert/Brazilian Presidency via AFP]

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, disse que convocaria o embaixador do Brasil para uma reprimenda pelos comentários.

“Ninguém comprometerá o direito de Israel se defender”, disse Katz no X, acrescentando que o enviado seria convocado na segunda-feira.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, descreveu os comentários como “vergonhosos e graves”.

“Esta é uma banalização do Holocausto e uma tentativa de atacar o povo judeu e o direito de Israel à autodefesa. Fazer comparações entre Israel, os nazistas e Hitler é cruzar a linha vermelha”, disse Netanyahu em comunicado.

Lula, 78 anos, condenou o ataque de 7 de outubro liderado pelo Hamas ao sul de Israel como um ato “terrorista” no dia em que aconteceu.

Mas desde então tem-se tornado cada vez mais crítico da campanha militar de retaliação de Israel em Gaza.

Pelo menos 1.139 pessoas foram mortas no ataque liderado pelo Hamas ao sul de Israel, a maioria civis, de acordo com uma contagem da Al Jazeera de números oficiais israelenses.

Os membros do Hamas também levaram cerca de 250 pessoas cativas, 130 das quais ainda estão em Gaza, incluindo 30 que são consideradas mortas, segundo as autoridades israelitas.

O ataque retaliatório de Israel a Gaza matou pelo menos 28.858 pessoas, a maioria mulheres e crianças, segundo as autoridades palestinianas.

Lula criticou as recentes decisões dos países ocidentais de suspender a ajuda à agência da ONU para os refugiados palestinos, UNRWA, depois de Israel ter acusado alguns dos seus funcionários de envolvimento no ataque liderado pelo Hamas.

Lula, que se encontrou com o primeiro-ministro palestino, Mohammad Shtayyeh, no sábado, à margem da cúpula, disse que o Brasil aumentará sua própria contribuição para a agência e instou outros países a fazerem o mesmo.

“Quando vejo o mundo rico anunciar que vai suspender as suas contribuições para a ajuda humanitária aos palestinianos, imagino quão grande é a consciência política destas pessoas e quão grande é o espírito de solidariedade nos seus corações”, disse Lula.

“Precisamos parar de ser pequenos quando precisamos ser grandes.”

Reiterou o seu apelo a uma solução de dois Estados para o conflito, com a Palestina “definitivamente reconhecida como um Estado pleno e soberano”.


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