França alerta Mali contra acordo de mercenário russo com Wagner


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O acordo pode levar as relações entre a França e o Mali ao ponto de ruptura e ressaltar a crescente influência da Rússia na região.

Soldados montam perímetro de segurança para Ibrahim Boubacar Keita, o então presidente do Mali, em Gao, Mali, em 7 de novembro de 2019 [Photo by Souleymane Ag Anara/AFP]
Soldados montam perímetro de segurança para Ibrahim Boubacar Keita, o então presidente do Mali, em Gao, Mali, em 7 de novembro de 2019 [Photo by Souleymane Ag Anara/AFP]

A ministra da Defesa francesa, Florence Parly, alertou Mali contra um acordo com o grupo de segurança privada russo Wagner, em meio a alegações de que o governo militar do país está perto de contratar 1.000 mercenários.

Duas fontes francesas disseram à agência de notícias AFP na terça-feira que o governo do Mali estava se aproximando de um acordo com a polêmica empresa russa, o que enfatizaria a crescente influência de Moscou na região.

“Se as autoridades do Mali celebrassem um contrato com Wagner, seria extremamente preocupante e contraditório, incoerente com tudo o que temos feito durante anos e pretendemos fazer para apoiar os países da região do Sahel”, disse Parly a uma comissão parlamentar.

No início da terça-feira, um porta-voz do Ministério da Defesa do Mali não negou as discussões, que foram relatadas pela primeira vez pela agência de notícias Reuters na segunda-feira.

“O Mali pretende diversificar as suas relações a médio prazo para garantir a segurança do país”, disse o porta-voz à AFP. “Não assinamos nada com o Wagner, mas estamos conversando com todos”.

Quatro fontes disseram à Reuters que o Grupo Wagner receberia cerca de seis bilhões de francos CFA (US $ 10,8 milhões) por mês por seus serviços, e que a presença dos mercenários colocaria em risco o financiamento de Mali dos parceiros internacionais e missões de treinamento aliadas que ajudaram a reconstruir o exército do Mali .

A França enviou tropas para o Mali em 2013, depois que combatentes invadiram o norte do país.

Desde então, Paris enviou milhares de soldados para a região do Sahel, onde realizam operações ao lado das forças locais contra combatentes ligados à Al-Qaeda e ao grupo ISIL (ISIS).

As relações entre a França e o Mali se deterioraram desde que um golpe em agosto de 2020 removeu o presidente Ibrahim Boubacar Keita.

A França suspendeu a cooperação militar com o Mali em junho passado, e Macron anunciou planos para fechar bases no norte do Mali e reduzir a presença de tropas francesas na região.

A chegada de mercenários russos ao Mali seria uma “linha vermelha” para Macron, disse uma das fontes francesas, acrescentando que Paris poderia enviar suas tropas estacionadas no país para o vizinho Níger.

Uma fonte diplomática francesa criticou as intervenções do Grupo Wagner em outros países.

“Uma intervenção deste ator seria, portanto, incompatível com os esforços realizados pelo Sahel do Mali e parceiros internacionais envolvidos na Coalizão pelo Sahel para a segurança e o desenvolvimento da região”, disse a fonte.

Nos últimos anos, os paramilitares russos, “instrutores de segurança”, empresas e consultores têm crescido cada vez mais influentes na República Centro-Africana (RCA) devastada pela guerra, cujas relações com a França também despencaram.

As forças de Wagner também estão presentes em vários países em outras partes da África, incluindo a Líbia em apoio ao comandante militar renegado Khalifa Haftar, no Sudão e em Moçambique.

‘Preocupado com a segurança’

À medida que as relações com a França pioraram, o governo militar do Mali aumentou os contatos com a Rússia, incluindo o ministro da Defesa, Sadio Camara, visitando Moscou e supervisionando os exercícios com tanques em 4 de setembro.

Uma fonte importante do Ministério da Defesa do Mali disse à Reuters no início desta semana que a visita foi no “quadro de cooperação e assistência militar” e não deu mais detalhes.

Um diplomata da embaixada russa no Mali disse à AFP que “não temos conhecimento de nenhum contrato sendo assinado entre Mali e Wagner” e que a embaixada “não foi o intermediário”.

“Como a França e outros países, estamos preocupados com a segurança na região”, disse o diplomata.

Wagner foi visto pela primeira vez no Mali pela AFP no final de 2019, quando uma pequena equipe foi identificada na capital Bamako, logo após Keita, o presidente deposto, ter assinado um acordo de cooperação militar com a Rússia.

No CAR, a França e ONGs denunciaram o papel desempenhado por Wagner, supostamente chefiado por Yevgeny Prigozhin, um empresário próximo ao presidente russo Vladimir Putin.

Prigozhin, que foi sancionado tanto pela UE quanto pelos EUA, negou ligações com Wagner e qualquer papel em conflitos na África.


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